Flashback: Churrasco da Matrícula 2010

“Vou beber mais nesse churrasco do que no Carnaval todo!”.

Fato. Cumpri a profecia. Isso também se deve, claro, ao fato de meu Carnaval ter sido mais calmo que um baiano com pressão baixa.

Desde quarta-feira eu não pensava em outra coisa. Afinal, festas open bar e open food me tiram a concentração de qualquer outra coisa. Estava tão afim de dar tudo certo nessa festa que saí do trabalho na quarta e fui limpar o anexo, que estava imundo e cheio de mato. Suei um bocado com a galera que foi ajudar e voilà! Lá estava um anexo impecável, livre de móveis fedidos e cheios de nhaca de vários semestres. Eu até economizei minhas idas ao
Meu Escritório para compensar no fígado. Realmente, esse churrasco me deixou ansioso. Seria a oportunidade de beber, conhecer os calouros e rever a galera daADM.

O grande dia chegou. Nem trabalhei direito naquela sexta. A folga de sábado foi confirmada só às três da tarde e já estava pirando. Corri praUFSC e me deparo com o anexo todo sujo. Bom, nem vou entrar em detalhes, mas que foi sacanagem foi. Enfim, tínhamos que dar um jeito e limpamos tudo enquanto alguns já chegavam. A festa foi começando aos poucos, até que as boas histórias começaram a surgir.

Todo mundo conversava e ria, algumas recém-veteranas berravam com seus recém-calouros, demonstrando a excitação em vê-los. Bom, eles não estavam tão excitados assim... O churrasco, como esperado, mais parecia ser do CTC, pois nunca vi tanto cueca no anexo ao mesmo tempo em uma festa daADM. Mas não tínhamos muito o que fazer a respeito.

A Camila
(formanda que nunca terminará o TCC) começou com as honras, tomando a primeira garrafa de Maracujá Joinville na mão e indo até os calouros fazê-los beber os famosos segundinhos.

- Meu, essa daí já ta doida! – disse um calouro, se referindo à Camila.
- Doida? Que nada, ela é assim por natureza. Tu não viu ela doida... ainda... – respondi.


Aqui vai um adendo: na minha época, calouro que pedia pra beber bebia o dobro ou se f... Nesse churrasco quase todos pediam pra beber e ficavam nos cinco segundinhos. Camila, você já foi melhor, hein!? Ah, outra coisa, calouro B (aluno do segundo semestre, ou seja, um nada) folgado também tomava. Dessa vez, cadê?

Bom, mesmo assim foi com isso que a festa começou a se tornar o que era pra ser.

Logo a caloura Pitti chegou na festa, e não me fiz de rogado: fui anunciar a chegada da ex-veterana-recém-caloura da ADM. Ela não gostou (ou sim), mas isso não vem ao caso. Assim como ela, fui revendo o pessoal do curso e percebendo que as férias estavam acabando. Se isso é bom ou ruim eu não sei, só sei que esse ano promete.

Fui passando de grupo em grupo conhecendo e revendo as pessoas, como sempre faço nas festas. Quando comecei a abrir as garrafas com os dentes é porque a cerveja já tinha feito um pouco de efeito. Numa das rodas, a Pitti conversava com outros calouros quando percebi que, além do churrasquinho, havia outra iguaria na festa:

- Nossa, tão servindo pizza aqui também? – perguntei.
- Pizza? – indagaram eles.
- Sim, sim... To vendo que tem pizza!
- Sério, onde?
- Aqui ó! – respondi, erguendo o braço de um dos calouros e mostrando a rodela de pizza Gigante à disposição.



Ah, o maraca... Ele transforma as pessoas e deixa todas em nirvana. Era divertido olhar as golas dos calouros, todas amareladas e babadas, e suas caras de sorriso fácil e pálpebras entreabertas. Calouro cabeludo? Jamais! Demos um jeito cortando as madeixas de alguns. Agora, que troço nojento jogar aquilo na cara da gente! Eu fiquei cuspindo cabelo uma meia hora. Sorte que a mãe me ajudou.

Falando em mãe (Marys,
do Secretariado), ela era uma das agregadas que acabaram comparecendo ao churrasco, como a Gabi de Letras (me convenci que esse é o nome e sobrenome dela, não tem mais jeito). Eu e a mãe dançamos o Créu em todas as velocidades e eu fiquei muito puto quando, no fim da festa, me lembrei que não peguei o chocolate que ela me trouxe de São Paulo. Seria bom ter um...

Todos foram ficando bêbados e bêbados. Eu mesmo dei uma gorfada quando fui virar um pouquinho de vodca. Lamentável. Mas é como expliquei para o calouro Felipe, "gorfar é quando você ja bebeu bastante, dá aquela bicada na vodca (ou similar) que bate no inicio da garganta e você já a devolve automaticamente com um pouco do líquido que ainda tava descendo pro seu estômago". Isso é bem diferente de vomitar, que fique esclarecido.

Depois me empolguei, peguei uma garrafa de maraca e fui brincar com os calouros de “quem vira mais”. Ideia idiota, claro. Eu virava na garganta deles e enchia um copo com maraca e virava também. Sei que fui acusado de acabar com a memória de alguns da festa, mas tem culpa eu? A certeza é que até eu fui vítima dessa bebida cruel e implacável mais uma vez. Por falar em bebida, uma hora ela tinha que acabar, e essa hora chegou. Foi aí, no final da festa, onde os heróis da ADM mostraram empenho e dedicação ao montar a Taça do Mundo (versões I e II).

- A Taça do Mundo é nossa! Com ADM não há quem possa!


A versão I contou com a nossa velha conhecida e deliciosa Volcof (vodca embalada em uma linda garrafa de plástico, usada também para acender brasa em churrascos) e ingredientes secretos. A II, mais misteriosa ainda, contou com restos das latas de cerveja espalhadas pelo anexo, álcool de cozinha e mais ingredientes secretos. Vou deixar bem claro que eu não bebi isso, mas só de ver fiquei mais bêbado ainda.

Teve calouro desesperado pois não sabia como contar pra mãe sobre o cabelo cortado, calouro que quebrou celular, calouro que brigou com veterano, calouro que foi encontrado vomitando atrás do anexo... Enfim, a mesmisse de sempre.

É a partir desse ponto que minha mente entra na zona de flashs. Por isso eu pedi a ajuda da minha amiga Camila para que narrasse o que aconteceu depois, pois não me lembro.

"Bom pessoal, aqui quem fala é a Camila Barros, e escrevo em nome do Sr. Vilmar Michereff Junior, 23 anos, solteiro e desmemoriado. Depois de um tempo, o Michereff apareceu na frente do Assim & Assado completamente bêbado. Ele sentou na mesa e ficou ali um tempo. Eu não posso dar muitos detalhes porque também não me lembro de muita coisa [?], mas há algo que gostaria de contar. Depois do muito doido, ele abaixou a cabeça um pouco e dormiu. Acordamos ele no tapa e ele levantou pedindo pela mochila.

- Camis, me dá minha mochila...
A mochila estava na mesa à frente dele.
- Não sei onde tá sua mochila, Michê... – disse eu.
- Ta lá no CAAD – respondeu o Diego.
- Me dá ela, pow – disse o Michereff.
- Ta, então pega a chave aqui e vai lá buscar. – Diego deu então a chave ao Michereff. Ele tentou abrir a porta, mas não tinha condições. Desistiu e voltou pra mesinha.
- Sério, velho, me dá minha mochila!
- Eu não sei onde ela ta! – respondeu o Diego. – Acho que roubaram!
O Michereff senta todo triste na mesa. Logo ele levanta a cabeça com uma cara de bravo e diz:
- Cara, me dá minha mochila. Eu quero a minha chave... Quero ir pra casa...
Nisso eu ponho a mochila, na frente dele, nas minhas costas.
- Ok, mas antes você tem que fazer um carinho nas minhas costas.
Ele faz o carinho nas costas, por cima da mochila, e responde.
- Ta, agora me dá minha mochila.
Isso é o que eu consigo lembrar. Sei que eu ainda fui para o Meu Escritório com parte da galera, e o Michereff foi com a outra parte pra outro lugar. É isso [?].
"

Camila, você é um viado pau no c*! Você, o Diego (estudante de ADM com um cabelo medonho) e todo mundo que estava me zoando. Mas vai ter volta... Bom, depois disso me lembro, aos poucos, que fui comer um dog no Vermelhinho (uma das duas barraquinhas de hot dog da praça do Pida) e fui pra casa, finalmente, descansar (ou desmaiar).


Publicado originalmente em O Baú dos Segredos Insecretos.

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